Era nesse paraíso na Serra da Mantiqueira que passávamos nossas férias de inverno. Não pensem vocês que isso é uma incoerênica depois de tantos relatos de simplicidade, eu explico.
Meu pai nasceu em Campos do Jordão e junto com meu avô, meu tio e alguns primos, ajudou a construir muitas casas na cidade, como bom carpinteiro que era, trabalhando no madeiramento dos telhados.
Bem, no período de férias, mamãe colocava os quatro filhos em um ônibus da Viãção Zeffir e nos levava para a casa de vovó para passar os dias de férias. Era uma grande festa sermos recebidos por nossas duas tias caçulas que nos esperavam sempre com muito carinho e que eram responsáveis por todas as programações de brincadeiras e passeios que fazíamos.
Vovó sempre nos esperava com uma panela fumegante de galinha ensopada que só ela sabia fazer, além de um arroz com suã de porco que ficava maravilhoso e nos dava a completa sensação de saciedade.
Bem, era nesse clima feliz que passávamos as férias e que nossas dificuldades com alimentação eram supridas. Apesar da comida simples, achávamos aquilo um banquete dos deuses.
Para minha vó carinho não era uma coisa física de abraços e beijos, mas esta atenção com a alimentação e a saúde. Todas as noites nos esperava uma cama já quente (ela colova uma garrafa com água quente, para aquecer os lençóis) e um chá de erva cidreira colhida no quintal.
Depois de 30 dias voltávamos para casa com alguns quilos a mais e com as bochechas rosadas pelo clima da serra. Eram os melhores dias do ano para todos nós.
Para manter a tradição agora reservo a última semana de julho para visitar a cidade com minhas filhas, reviver fatos e versões com toda a família. Coisas simples quase sempre valem muito mais que qualquer outra que só o dinheiro pode comprar. Já pensaram nisso?
“Mídia social é psicologia na veia”
por: Norma da Matta Criado por Tuiuiú Comunicação
